Devo confessar: ao ver pela primeira vez Edison Vara não levei muita fé. Grande demais para um fotógrafo, achei que ele tinha mais jeito para engenheiro, sei lá. Mas ao examinar seus cromos tive a certeza do engano inicial. O cara dominava como poucos a luz nos retratos, tinha um dedo rápido nas fotos de ação. E fotografar para a Placar nunca foi tarefa das mais fáceis. Como o gol e a comemoração estão sempre no jornal do dia seguinte, a revista precisa oferecer imagens exclusivas, surpreendentes, divertidas, dramáticas. Se os fotógrafos todos vão para um lado, nosso retratista precisa ir para o outro. O jeito mais fácil e seguro de trabalhar é com uma imagem mais aberta, certo? Pois o fotógrafo Placar precisa se arriscar com lentes mais potentes, com imagens mais fechadas, sempre no limite de perder a ação e, o pior, o foco. Vara joga exatamente desse jeito, com arrojo e categoria. Teve a coragem de partir para as câmeras digitais em uma época que poucos se arriscavam em tecnologias desconhecidas.